MANOEL ELÍSIO FEIJÃO JÚNIOR
(Cirurgião Bucomaxilofacial)
 
  Sou cirurgião dentista há mais de quinze anos, tendo nos últimos seis anos me dedicado, também, ao trabalho de levar conforto e alegria aos diversos pacientes, em especial àqueles com doenças graves, como câncer, com fortes traumatismos, crianças de um modo geral e idosos.

Ao longo do meu trabalho voltado para o atendimento a pacientes em estado grave, observei que o estado de ânimo daqueles pacientes tinha uma importante influência no seu tratamento e recuperação. Muitos deles permaneciam internados no Hospital por vários dias ou semanas, algumas vezes, sem receber visitas, o que contribuía ainda mais para a criação de um ambiente de tristeza e desolação que prejudicava o trabalho de recuperação, contribuindo muitas vezes para o agravamento do problema.

Um dia, levei meus instrumentos musicais para o Hospital. Concluído meu plantão, dirigi-me para um dos ambientes em que se encontravam os pacientes com doenças terminais e sentei-me ao lado deles, comecei a tocar violão e a cantar músicas do nosso cancioneiro popular e de louvor a Deus. Pude assim observar que os rostos se iluminaram. Naquele momento, percebi que aqueles corações se alegraram e uma nova fonte de energia, oriunda da solidariedade humana, tomou conta daqueles corpos fragilizados.

Já se passaram seis anos daquele momento mágico que me sensibilizou a alma. Nunca mais deixei de levar aos pacientes mais necessitados aqueles momentos musicais. Vejo que eles representam verdadeiros afagos espirituais àqueles seres sofridos que, por um instante, podem substituir o gemido da dor pelo sorriso estampado no rosto pálido e a desesperança pelo brilho no olhar.

Aprendi muito com meus pacientes. Aprendi, sobretudo, no convívio com eles, a ver a grandeza do verdadeiro significado do AMOR, o maior antibiótico do mundo.

Assim, sabendo do interesse da produção do Jornal, coloco-me a sua inteira disposição para discutirmos com mais detalhes esse magnífico trabalho que venho desenvolvendo no Hospital Walfredo Gurgel, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte.